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Dona Juvina: Espiritismo quando Cascavel ainda se chamava "Encruzilhada"

Juvina Carneiro Eduardo, a pioneira

Quando falamos em pioneirismo, não podemos deixar de mencionar o nome de uma trabalhadora incansável que, embora não constasse na composição daquela Diretoria dos anos 50, já liderava o Movimento Espírita na região.

Dona Juvina, como é carinhosamente chamada a nossa anciã, foi levada às recordações de um passado distante, de quando ainda era uma menina - hoje ela está com 75 anos - e, entre lágrimas, sorrisos e olhares demonstrando soledade, fez relatos daquele tempo, em que a suave e divina melodia da vida foi exteriorizada nas exaltações das experiências acumuladas.

A memória é uma dádiva de Deus que o tempo não consegue apagar. As lembranças podem ficar momentaneamente no esquecimento, mas basta que se acione os mecanismos das recordações que teremos no desencadeamento ação-reação um coração a transbordar os mais genuínos sentimentos e as mais vivas emoções.

Juvina Carneiro Eduardo, viúva, mãe de 8 filhos, nasceu em 09 de junho de 1921, em Três Pinheiros, município de Foz do Iguaçu-Pr, filha de Antonio Eduardo e Balbina Carneiro Eduardo.

Universo Espírita: Dona Juvina, soubemos que, na verdade, a senhora foi a pioneira dos pioneiros do Espiritismo da região. A senhora quer nos contar como foi isso?

D. Juvina: "As minhas primeiras recordações levam-me ao "chão batido" do Centro Espírita Paz, Amor e Luz, mas, não esse Centro em que nós atuamos hoje e sim lá em Três Pinheiros, no meio da mata, onde morávamos. Não havia estrada. Para irmos até a sede, hoje a grande cidade de Foz do Iguaçu, somente através de "picadas". Mas, mesmo assim, em conseqüência da fé de meu avô José Carneiro, tínhamos um Centro Espírita. Eu ainda era menina e nossa família trabalhava na agricultura. Naquela época não havia energia elétrica em Três Pinheiros, então, meu avô, antes de anoitecer, nos levava ao Centro Espírita, fazia a leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo e ministrava a fluidoterapia. Ele era portador de faculdades mediúnicas, tais como as de cura e as da vidência. E, naturalmente, aliando o ambiente fluídico do Evangelho à pureza da fé e à mediunidade de cura, vovô, ao dar passes curava muitas pessoas, pois que também se utilizava de flores locais para fazer chás. Minha mãe acompanhava todos os trabalhos de meu avô, como sua auxiliar, e assim aprendeu o oficio.

Meu pai era funcionário do Correio. Adquirimos uma invernada e construímos uma estalagem. E foi nessa Estalagem que conhecemos o Sr. Ramiro de Siqueira, saudoso irmão desta seara, pioneiro do Espiritismo em Cascavel, já desencarnado.

"Seu" Ramiro residia na localidade chamada Encruzilhada, hoje a nossa querida Cascavel, e era viajante. No exercício de sua profissão, saía de "Encruzilhada" com destino a Guarapuava. Lá comprava mantimentos para revender em Foz do Iguaçu. Antes de chegar ao destino, descansava em nossa Estalagem. Esse percurso demorava cerca de 16 dias, pois o meio de transporte para tal empresa era somente a carroça. Em suas estadas Seu Ramiro participava do Evangelho, mas, meio desconfiado com o "tal" Espiritismo.

Certo dia o Seu Ramiro chegou à nossa estalagem e mostrava-se doente. Minha mãe valeu-se dos passes, da água fluidificada e dos chás, mais a exposição do Evangelho, e assim, o restabelecimento do viajante aconteceu rapidamente. Isso contribuiu muito para fortalecer a fé do Seu Ramiro no Espiritismo e verificar a ação dos nossos Amigos Espirituais. Assim tomou-se ele espírita convicto.

O Correio transferiu papai para "Encruzilhada", em 1931. Viajamos todos e em dez dias chegamos ao destino. Foi preciso abrir uma clareira na mata para construir nossa casa, onde hoje se localiza o Hospital Policlínica de Cascavel. De início sentimos muita falta do nosso Centro Espírita de Três Pinheiros. Começamos a fazer reuniões com o Evangelho ora em nossa residência, ora na residência do Seu Ramiro."

Podemos afirmar que essas reuniões constituíram-se nos primeiros movimentos, que mais tarde seria a implantação do Espiritismo em nossa cidade de Cascavel.

O então Distrito de Foz do Iguaçu cresceu e tomou-se Município. Cascavel, que era apenas uma "encruzilhada", cresceu e tornou-se Município. E com o crescimento, a chegada de novos espíritas. Fazia-se necessário um Centro Espírita. Nesse empreendimento, tomaram iniciativa os Srs. Ramiro, Antonio Eduardo, Balbina Carneiro e a então jovem Juvina, nossa entrevistada, entre outros já mencionados nos números anteriores do nosso periódico.

Os caminhos percorridos ao longo das jornadas são peculiares. Ao reencarnar trouxemos as marcas que nos caracterizam. Renascemos em lugar apropriado, em época certa e no ambiente ideal para que possamos reiniciar, aqui na Terra, mais uma etapa dentro das sendas evolutivas, tendo como base para a aprendizagem das lições a escola da vivência diária.

À Dona Juvina, o nosso respeito, carinho e gratidão, pelos mais de 60 anos dedicados ao Espiritismo.

João Carlos Fredo


A Conquista do Oeste: Homenagem aos Pioneiros do Espiritismo na Região


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